Thursday, October 02, 2003
Quarta feira o cinema é mais barato!
Irreversível

Marcus namora Alex, ex namorada de seu amigo Pierre. Numa noite, os três vão a uma festa. Excitado com o clima do local, Marcus usa drogas, contrariando os conselhos de Pierre, ficando totalmente alterado. Alex, incomodada com o comportamento inadequado do namorado, resolve ir embora e é brutalmente violentada ao atravessar a rua por uma passagem subterrânea. Marcus e Pierre saem da festa logo depois e são surpreendidos pela polícia e pela ambulância, que recolhe o corpo de Alex. Incitado por um homem que diz saber quem cometeu o crime, Marcus, completamente transtornado, resolve vingar a namorada com suas próprias mãos.
Confesso que embora já esteja de certa forma acostumada com as péssimas e pouco inteligentes críticas de Rubens Edwald Filho, fiquei surpreendida com o que li a respeito deste filme. Edwald faz um ataque violento não só ao longa mas ao diretor, abandonando a "estética literária" que qualquer crítico de cinema deve respeitar, deixando transparecer algum incômodo muito pessoal.
Irreversível não é um filme doce. Pelo contrário. Amargo, pesado, de fato violento, mas ao mesmo tempo, terno e delicado.
Em sua crítica, Edwald classifica o filme como uma imoral cópia barata de "Amnésia". A não ser pelo fato de que a história é contada de trás para frente, um filme não tem absolutamente nenhuma semelhança com o outro e mesmo esta coincidência, não justifica a comparação, já que a concepção da cronologia em cada um dos filmes é totalmente e obviamente distinta.
A primeira sequência da trama é ambientada num reduto gay, a dança constante da câmera ás vezes chega a provocar mal estar, justamente no intuito de desconfortar e ao mesmo tempo proteger os olhos (de quem não quer ver), das cenas que acontecem naquele lugar, embora muitas vezes, em algumas tomadas mais iluminadas e, principalmente pelos ruídos, possamos entender o que se passa. A sequência termina num assassinato que acontece de maneira extremamente violenta, de fato não recomendada para estômagos mais fracos. Pode parecer confuso, mas a motivação do personagem que o comete vai ser revelada no transcorrer da fita. A vingança está feita.
A partir daí, a história vai voltando para trás, em pequenos flashs, não com o objetivo de revelar segredos, explicar ou juntar pedaços da trama, que, pelo contrário, fica bem clara desde o início do filme e é revelada em qualquer uma de suas sinopses, inclusive aqui; mas sim, semeiam, nas ações, no comportamento e nos momentos e sentimentos dos personagens, que vão desde a mais cândida ternura até o ódio incontrolável, assim como nos fatos, os pressupostos nos quais Gaspar Noé baseia e justifica seu filme:
"Irreversível porque o tempo destrói tudo porque alguns atos são irreparáveis porque o homem é um animal porque o desejo por vingança é um impulso natural porque a maior parte dos crimes não são punidos porque a perda de um amor destrói como um relâmpago porque o amor é a fonte da vida porque todas as histórias são escritas em esperma e sangue porque é um bom mundo porque premonições não alteram o curso dos eventos porque o tempo revela tudo, o melhor e o pior."
Algumas cenas do filme são fortes sim, mas de maneira nenhuma apelativas ou desnecessárias, muito menos imorais; no entanto, podem causar desconforto justamente por serem extremamente reais e intensas. Contaminado pelas cenas iniciais do filme, o espectador se surpreende ansioso e inadequado, ao vivenciar, na medida que a história regride, momentos de afetividade, ternura e alegria.
O filme vai do extremo da pureza e da vida até o extremo da morte e das perversidades. É uma enchurrada de diferentes e opostos sentimentos que provoca, de maneira eficaz, podendo incomodar a muitos, a reflexão sobre o fato de que tudo isso faz parte de um mesmo mundo. Muitas pessoas, de fato, não gostariam de ser expostas, pelo menos não desta forma crua, a esta realidade. No entanto, quem estiver disposto, assistirá a um ótimo filme, ademais, com boa direção, bom roteiro e boas interpretações.

Irreversível
(Irréversible, França, 2002)

Gênero: Drama
Duração: 95 min
Distribuidora: Europa Filmes
Produtora(s): 120 Films, Eskwad, Grandpierre, Les Cinémas de la Zone, Nord-Ouest Productions, Rossignon, Studio Canal
Diretor: Gaspar Noé
Roteirista: Gaspar Noé
Elenco: Monica Bellucci, Vincent Cassel, Albert Dupontel

Site oficial do filme
Posted at Thursday, October 02, 2003 by movimento
Tuesday, September 30, 2003
Bem me quer, Mal me quer

A maior parte das sinopses deste filme são sucintas, de certa forma desleais, muitas, fazendo correr o risco de desanimar quem as lê, levando a crer tratar-se tão somente de mais uma fita que versa sobre amor e amantes.
No entanto, ao menos não revelam o cerne surpreendente desta história, primeiro longa dirigido por Laetitia Colombani, que nos presenteia ademais, com mais uma sincera e delicada atuação de Audrey Tautou ( de " O fabuloso Destino de Amélie Poulain").
Já tendo advertido em relação ás falsas impressões que qualquer sinopse pode causar, arrisco cautelosamente contar que este "romance" gira em torno do amor de Angélique (Tautou), uma jovem órfã estudante de artes, pelo médico cardiologista Loic (Le Bihan) cuja esposa está grávida. O filme se divide em duas partes. Na primeira, assistimos a este relacionamento acompanhando o ponto de vista de Angélique. No meio do filme, somos "rebobinados" de volta à primeira cena e acompanhamos novamente os mesmos fatos, vistos e sentidos pela ótica do médico Loic.
A ótima direção de Colombani, somada á atuação "paralela" de Tautou e Le Bihan, faz com que seja quase impossível não nos identificarmos com os sentimentos dos personagens, o que de certa forma também nos surpreende ao final do filme.
Um ótimo programa!
Bem Me Quer, Mal Me Quer
(À la folie... pas du tout, França, 2002)
Gênero: Romance
Duração: 92 min
Distribuidora: Art Films
Produtora(s): Cofimage 12, TF1 Films Productions, TPS Cinéma, Téléma
Diretor(es): Laetitia Colombani
Roteirista(s): Laetitia Colombani, Caroline Thivel
Elenco: Audrey Tautou, Samuel Le Bihan, Isabelle Carré, Clément Sibony, Sophie Guillemin
Posted at Tuesday, September 30, 2003 by movimento
Bem, aqui estou eu, no mundo dos Blogs, graças ao Nuno - obrigada pela mão, pelo cotovelo, pelo joelho, pelo pé !!!
Vamos ver se consigo fazer isso direitinho, para com maior frequência como muitos me têm pedido ( eeeehh, fico tão contenta!), compartilhar um pouquinho do meu movimento com vocês!
Beijinhos .......
Posted at Tuesday, September 30, 2003 by movimento
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"Quando acordares, olha para mim quero que vejas o que eu já vi..." ( Ergue-te ao sol, em Movimento) Eu também sou Azul
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